A prevenção do câncer de colo de útero e outras doenças relacionada à infecção pelo HPV por meio da vacinação é prioridade do Ministério da Saúde e, dessa forma, a vacina HPV quadrivalente passou a fazer parte da rotina pública em 2014, inicialmente para meninas de 11 a 13 anos de idade.

O Brasil não é o primeiro país a adotar essa estratégia de prevenção. Países como EUA, Inglaterra e Austrália, entre outros, vacinam suas jovens desde de 2006 e já puderam perceber resultados positivos.

Com o perfil de segurança e eficácia dessas vacinas documentado, podemos certamente esperar um grande benefício para a população.

Existem duas vacinas HPV, a saber:

  • Vacina HPV quadrivalente (utilizada na campanha de vacinação pública): contendo antígenos dos tipos 6, 11, 16, 18 de HPV com esquema de 0-2-6 meses, indicada para meninas e mulheres de 9 a 45 anos e meninos de homens de 9 a 26 anos de idade;
  • Vacina HPV bivalente: contendo antígenos dos tipos 16 e 18 de HPV com esquema de 0-1-6 meses, indicada para meninas e mulheres a partir dos 9 anos e sem limite de idade para sua aplicação.

O vírus HPV

Os Papilomavírus Humanos (HPV) são vírus capazes de induzir lesões de pele ou mucosa, as quais geralmente regridem espontaneamente. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, subdivididos em de baixo e alto risco para câncer. Dezoito subtipos de alto risco estão relacionados ao câncer de colo de útero e outros tipos de câncer, e vinte e dois estão relacionados às verrugas genitais. Os tipos 16 e 18 são os mais frequentemente relacionados ao câncer e os tipos 6 e 11 os mais frequentemente relacionados às verrugas genitais.

A importância da vacinação contra o HPV

  1. Aproximadamente 20 milhões de pessoas no mundo são infectadas pelo HPV.
  2. O HPV acomete homens e mulheres e os tipos oncogênicos (que causam câncer) estão presentes em cerca de 99,7% dos casos de câncer do colo do útero; 90% dos casos de câncer de ânus; 64% dos casos de câncer de boca; e 40% dos casos de câncer de pênis. Os tipos 16 e 18 são os mais comumente encontrados nessas nas lesões cancerígenas. As verrugas genitais são causadas pelos tipos não oncogênicos, sendo os tipos 6 e 11 responsáveis por 90% dos casos.
  3. Estima-se que 80% da população sexualmente ativa terá pelo menos um episódio de infecção pelo HPV na vida. Felizmente, a maioria das infecções é transitória e evolui para a cura, com eliminação completa do vírus. No entanto, grande parte das infecções são subclínicas, não causam qualquer sintomatologia, mas, em alguns casos, podem progredir para o câncer, se não sejam tratadas precocemente. Mas, é importante dizer que 1a 2% das mulheres infectadas por tipos oncogênicos desenvolverão o câncer do colo do útero.
  4. No Brasil, são cerca de 18 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano.

Transmissão do HPV

A transmissão do HPV é essencialmente sexual e o uso de preservativos não é suficiente para a prevenção, já que é transmitido pelo contato pele com pele infectada, sem necessidade de penetração.

Como se proteger das lesões causadas pelo HPV?

Essa prevenção pode se dar:

  • com o uso do preservativo (camisinha) – diminui a possibilidade de transmissão na relação sexual, mas não evita totalmente.
  • com os exames anuais preventivos – com o exame ginecológico periódico (Papanicolaou) rastreia-se as lesões celulares do colo do útero causadas pela infecção pelo HPV. É, portanto, uma prevenção secundária, isto é, não previne a infecção mas detecta a lesão e permite prevenir o desenvolvimento de lesões após a infecção já ter ocorrido, com isso prevenindo a evolução para o câncer. Resultados falso negativos ou evoluções rápidas podem acontecer e, por isso, o exame não é 100% eficaz.
  • com a vacinação – evita a infecção (pelos tipos contidos na vacina e contra os quais ela protege) e consequentemente a evolução de lesões. Importante lembrar que as vacinas protegem de parte dos tipos de HPVs.

Essas três ferramentas de prevenção se complementam e precisam ser incentivadas.

Por que vacinar a partir dos 9 anos de idade?

  1. A infecção pelo HPV acontece precocemente. Estudos mostraram que 25 a 30% das jovens com um único parceiro, apresentam lesão por HPV já no primeiro ano de iniciação sexual.
  2. Como acontece com outras vacinas, jovens com menos de 15 anos respondem melhor à vacinação.

Para que a vacinação seja mais efetiva, o ideal é que ocorra bem antes de contato com o HPV, ou seja, os pré-adolescentes e adolescentes, que por esse motivo são os alvos principais das campanhas de vacinação. A SBP e a SBIm recomendam que a vacina seja administrada o mais precocemente possível, para meninas e meninos a partir de 9 anos de idade.

Quem pode tomar a vacina HPV?

A prioridade é para meninas e meninos de 9 a 26 anos. No entanto, estudos demonstram imunogenicidade (resposta imunológica com produção de anticorpos) e segurança também em mulheres mais velhas. No Brasil, a vacina bivalente está licenciada a partir dos 9 anos e sem limite de idade e a vacina quadrivalente para meninas e mulheres de 9 a 45 anos e meninos de homens de 9 a 26 anos de idade. Atualmente, o Ministério da Saúde vacina as meninas e de 9 a 14 anos, e de 15 anos que já tomaram a primeira dose. Além de meninos de 11 a 14 anos. Também é oferecida a vacina no serviço público para pessoas que vivem com HIV/Aids entre 9 e 26 anos, pacientes oncológicos em tratamento com quimioterapia ou radioterapia entre 9 e 26 anos e pacientes transplantados entre 9 e 26 anos.

Quem não deve tomar a vacina HPV?

  • Quem tem alergia grave a algum componente da vacina (história de choque anafilático relacionada à dose anterior da vacina)
  • Gestantes, pois não existem estudos de segurança neste grupo.

Qual é o esquema de doses?

São necessárias três doses.

Esquema padrão: a segunda dose um ou dois meses após a primeira e a terceira 6 meses após dose inicial.

Esquema estendido (adotado pelo Ministério da Saúde): a segunda dose seis meses após a primeira e a terceira 5 anos após. Importante dizer que esse esquema de vacinação não é recomendado para maiores de 15 anos.

Quais são os efeitos adversos?

A vacina é segura. Produzidas com vírus inativados (mortos), e portanto não é capaz de causar a doença. Como ocorre com todas as vacinas, alguns eventos adversos podem ser observados, mas geralmente apenas reação local como dor, endurecimento e vermelhidão. Raramente, pode ocorrer febre baixa e passageira.

A síncope (desmaio), reação vaso-vagal, após injeção é uma reação conhecida após qualquer vacina ou injeção, sendo mais comum em adultos e adolescentes. Aproximadamente 60% dessas reações acontecem nos cinco minutos posteriores à aplicação e cerca de 90% ocorrem em 15 minutos. O profissional de saúde deve estar ciente dos fatores predisponentes (fobia de agulhas e injeções, idade) e manifestações de pré síncope (ansiedade, sudorese, sensação de falta de ar) e estar atento para prevenir quedas.

Cuidados para evitar e/ou atender a síncope:  observar o paciente, principalmente adolescentes e adultos que apresentam sinais predisponentes;vacinar esses pacientes sempre sentados ou até mesmo deitados; vacinar o paciente adolescente e adulto sempre sentados;observar por pelo menos 15 minutos após a vacinação. Caso a sincope ocorra, o paciente deve ser protegido de quedas e deve ser deitado de costas, com as pernas erguidas, até o desaparecimento dos sintomas.

Conversem com seu médico sobre essa prevenção!

Isabella Ballalai
CRM 52 48039-5