1 - Como a dengue é transmitida?
A transmissão ocorre, basicamente, pela picada do mosquito Aedes aegypti contaminado pelo vírus da dengue. Mas já foram registrados casos de transmissão vertical, ou seja, da gestante para o feto e também por transfusão sanguínea.
Quando uma fêmea do Aedes pica um indivíduo infectado, o vírus da dengue que circula no sangue é ingerido e infecta o mosquito, que passa a ser seu hospedeiro e a transmiti-lo durante todo seu ciclo de vida que é de 6 a 8 semanas.
2 - Quais os sintomas da doença?
Após a picada pelo mosquito infectado ocorre um período de incubação do vírus – geralmente, de 4 a 10 dias (média de 5 a 6 dias) – e, na sequência, surgem os primeiros sintomas. Mas, atenção: a infecção por dengue pode ser assintomática ou causar um amplo espectro de quadros clínicos que vão de formas pouco sintomáticas a graves, com ou sem hemorragia.
Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C) de início súbito, com duração que varia de dois a sete dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e prurido cutâneo. Perda de peso, náuseas e vômitos também são comuns. Na fase febril inicial pode ser difícil diferenciar a dengue de outras doenças.
3 - Existe tratamento específico para tratar a doença?
Não existem medicamentos específicos para combater o vírus. O tratamento visa o controle dos sintomas e a estabilização do paciente.
4 - Como evitar a dengue?
A vacinação é uma das formas de prevenir a doença, mas ela não dispensa o combate à proliferação dos focos de mosquitos e os cuidados para reduzir o risco de picadas.
5 - Como é a vacina? Quem pode tomar?
A vacina dengue atualmente disponível contém os quatro sorotipos do vírus: DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4. Pode ser aplicada em pessoas de 9 a 45 anos de idade, por via subcutânea. 
6 - Quem não pode tomar?
Por se tratar de vacina atenuada (viva), é contraindicada em imunodeprimidos, gestantes e mulheres que estão amamentando. Também não deve ser aplicada em pessoas com mais de 45 anos ou crianças com menos de 9 anos de idade.
7 - Essa vacina realmente protege da doença?
A proteção contra dengue grave e hemorrágica fica em torno de 93%. A vacina também se mostrou eficiente na redução dos índices de internação em mais de 80% dos casos. Já a eficácia para a prevenção da doença é de 65,5%.
8 - Quais os riscos à saúde que a vacina pode trazer?
Os estudos demonstraram um padrão de segurança muito bom. Não foram identificados eventos adversos graves na faixa etária para a qual a vacina está licenciada. A maioria das reações foram leves, de curta duração e reversíveis, independentemente da população estudada e da idade, semelhantes aos eventos possíveis após a aplicação rotineira de outras vacinas.
9 - Qual é o esquema de vacinação?
São necessárias três doses, com intervalo de seis meses entre elas.
10 - Qual o impacto da dengue no mundo?
A dengue tem grande impacto na saúde coletiva na maioria dos países das regiões tropicais e subtropicais. Estima-se que ocorram anualmente cerca de 100 milhões de casos no mundo, muitos dos quais levam à internações e óbitos. Os surtos da doença são, muitas vezes, imprevisíveis e sobrecarregam os sistemas público e privado de saúde.
11 - Quantos casos de dengue são registrados no Brasil?
Até junho de 2016, o Brasil contabilizou mais de 1,3 milhões de casos prováveis de dengue, sendo: 59,9% na região sudeste; 20,6% na região nordeste; 10,9% na centro-oeste; 6,0% na região sul e 2,6% na norte. Neste levantamento foram descartados 429.895 casos suspeitos.
No mesmo período foram confirmados 511 casos de dengue grave e 5.570 de dengue com sinais de alarme (que podem evoluir para formas graves, como a hemorrágica).
A região sudeste registrou o maior número de casos graves (287) ou com sinais de alarme (2.623).
Em relação às mortes neste período, foram confirmados 318 óbitos por dengue, mas centenas de casos ainda estão sendo investigados.
12 - Todos os tipos de vírus da dengue podem causar doença?
Sim. Qualquer um dos tipos causa a doença, mas, em geral, um deles predomina a cada ano. Segundo o Ministério da Saúde, tanto em 2015 como em 2016 cerca de 90% dos casos foram causados pelo tipo 1. Entretanto, é muito difícil prever qual tipo predominará.
13 - Como saber se estou desenvolvendo a forma grave da doença?
De um modo geral, entre o terceiro e o sétimo dia da doença ocorre uma diminuição ou desaparecimento da febre e alguns casos evoluem para a recuperação e cura. Entretanto, outros podem apresentar sintomas indicativos de que a doença está se agravando. São eles: sangramentos (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômito persistente, letargia, sonolência ou irritabilidade, desidratação, hipotensão e tontura. Quando esses sintomas ocorrerem é preciso buscar auxílio médico imediatamente.

FONTE: Dra Flavia Bravo
CRM 52 49728-9
Gerente-médica da Rede Vaccini