1 - Qual a importância da infecção por vírus sincicial respiratório (VSR)?
As infecções respiratórias agudas são importante causa de doença e mortalidade em pediatria em todo o mundo e o VSR está entre os agentes mais frequentemente identificados nestas infecções. Ele penetra no organismo humano através dos olhos, do nariz e da boca, atingindo o sistema respiratório e causando inflamação dos pulmões, brônquios e bronquíolos.
Em bebês e em crianças pequenas, ele pode causar pneumonia, bronquiolite e traqueobronquite. O risco de doença grave é alto em crianças nascidas prematuras, com doença pulmonar crônica de prematuridade e doenças cardíacas, pois elas apresentam fatores de risco como: bronquíolos de menor diâmetro, sistema imunológico menos desenvolvido ou menor quantidade de anticorpos recebidos por meio da placenta.
Em adultos, o VSR provoca um quadro que se assemelha a um resfriado.
2 - Qual o risco de infecção por VSR no Brasil?
A prevalência do VSR no Brasil, nas infecções respiratórias em crianças menores de 1 ano de idade, é superior a 50% dos casos. A infecção está associada a mais de 65% das internações de bebês nascidos prematuros.
3 - O bebê cria imunidade depois de ter tido a doença?
Não. Ao contrário do que acontece com outras doenças, como o sarampo e a catapora, por exemplo, o organismo não cria imunidade ao VSR após o primeiro contato. Quando um bebê desenvolve bronquiolite é possível que apresente episódios recorrentes pelo VSR, pois seu sistema imune não consegue produzir anticorpos que o protejam de infecções futuras.
4 - Como é realizado o diagnóstico de infecção pelo VSR?
O diagnóstico só pode ser comprovado por exames laboratoriais. Como o quadro clínico inicial é semelhante ao quadro de um resfriado ou uma gripe, é preciso estar atento ao surgimento de dificuldade respiratória e procurar atendimento médico quando esse sintoma ocorrer.
5 - Quando há maior risco de contrair a infecção?
Nos países onde as estações do ano são bem definidas, como os Estados Unidos, o vírus costuma circular durante o outono e o inverno - apesar disso, ele não está vinculado a baixas temperaturas. No Brasil, a maior circulação do VSR começa na região norte, entre o fim de dezembro e o começo de janeiro. No nordeste, o VSR chega por volta de março, coincidindo com o período das chuvas. Mais tarde, ele atinge as regiões sudeste e sul, normalmente entre os meses de junho e agosto.
6 - O que é palivizumabe?
Palivizumabe é um anticorpo monoclonal específico contra o VSR. Não é uma vacina, pois não estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos – é um anticorpo pronto que neutraliza o VSR que circula na corrente sanguínea e inibe sua proliferação.
7 - Para quem está indicado o palivizumabe?
Para pacientes pediátricos com alto risco para doença por VSR. A indicação tem como objetivo prevenir doença grave do trato respiratório inferior em: crianças nascidas prematuras (com menos de 35 semanas de idade gestacional); crianças portadoras de doença pulmonar crônica da prematuridade e/ou portadoras de cardiopatia congênita em tratamento.
As sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) recomendam para os bebês nascidos com menos de 29 semanas de gestação no primeiro ano de vida; para aqueles nascidos entre 29 e 32 semanas, até o sexto mês; e para portadores de doenças cardíacas e pulmonares nos dois primeiros anos de vida.
O Ministério da Saúde oferece o produto para crianças nas situações descritas abaixo:
  • prematuras nascidas com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas (até 28 semanas e 6 dias),  no primeiro ano de vida (até completar 11 meses e 29 dias);
  • com idade inferior a 2 anos (até 1 ano 11 meses e 29 dias), com cardiopatia congênita, e que permaneçam com repercussão hemodinâmica, com uso de medicamentos específicos;
  • com idade inferior a 2 anos (até 1 ano 11 meses e 29 dias) com doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia pulmonar) e que continuem necessitando de tratamento, durante os seis últimos meses anteriores ao cadastramento no sistema do Ministério da Saúde.
8 - Como e quando deve ser administrado o palivizumabe?
Deve ser aplicado por via intramuscular, em doses mensais de 15 mg/kg de peso durante cinco meses, iniciando no período de maior circulação do vírus (conforme característica de cada região do país).

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