Administração de Vacinas e uso de Antitérmicos

Apesar de febre fazer parte da reação inflamatória normal após imunizações, drogas antipiréticas têm sido largamente utilizadas para controle de reações pós-vacinais. A despeito do caráter geralmente benigno e autolimitado, as reações preocupam os pais e, consequentemente, elevam o número de consultas médicas e investigações laboratoriais desnecessárias.

Por esses motivos e com a intenção de controlar das convulsões febris associadas a febre alta pós vacinação, alguns países passaram a indicar o uso de antitérmicos rotineiramente nas primeiras 24 h pós vacinação, principalmente em caso de administração de vacinas mais reatogênicas (como a vacina tríplice bacteriana de células inteiras – DPTw - e as vacinas combinadas), ou em crianças com histórico de convulsão febril.

Em 2006/2007, Roman Prymula e colaboradores realizaram um grande estudo na República Tcheca, sobre o uso de paracetamol profilático durante 24 horas após coadministração da vacina pneumocócica conjugada 10 valente e da vacina hexavalente (difteria, tétano, coqueluche acelular, hepatite B, polio inativada e H. influenza tipo b - DTPa-HBVIP/Hib) e da vacina de rotavírus humano. O objetivo era avaliar a redução das reações febris (temperatura maior ou igual a 38°C) com o uso do antitérmico e a imunogenicidade pós-vacinal na população estudada. As avaliações aconteceram após a vacinação primária e após reforço Os autores confirmaram o efeito da droga na redução da reação febril e da dor no local da injeção, mas não houve este efeito na redução de temperaturas maiores que 39,5ºC. Foi observado, ainda, que existe uma redução substancial da concentração de anticorpos contra os 10 sorotipos da vacina pneumocócica conjugada, contra o polissacarídeo Hib e contra os antígenos da difteria, do tétano e da coqueluche. Análises posteriores de estudos prévios confirmaram os mesmos achados em relação à vacina pneumocócica conjugada 7 valente. A hipótese dos autores para explicar o fato é de que o paracetamol interferiria na interação precoce entre a célula B dendrítica e célula T, possivelmente por uma redução dos sinais inflamatórios no local da aplicação da injeção.

A relevância clínica desses achados ainda é incerta e novos estudos devem ser realizados, porém os autores entendem que a administração rotineira e universal de paracetamol profilático deverá ser evitada, devendo ser sempre avaliados os benefícios e riscos de seu uso.

É primordial compreender, porém, as diferentes implicações da redução da concentração de anticorpos pós-vacinação na saúde individual e na saúde da coletividade. Este estudo também demonstrou que a maior parte dos indivíduos vacinados apresentou níveis protetores de anticorpos, garantindo a proteção individual. Mas o grande questionamento relaciona-se à proteção coletiva já que, principalmente em relação ao Haemophilus influenzae e ao pneumococo, são necessários níveis altos e sustentados de anticorpos para que se elimine o estado de portador são e, por conseqüência, haja redução da transmissão da doença entre a população.

Conclui-se, pois, que serão necessários outros estudos e que a decisão de utilização ou não do paracetamol seja individualizada para cada paciente a ser vacinado.

Por Eugenia Marques Araújo

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